Este livro é um espelho lançado contra o horizonte do tempo. Nele, o leitor descobrirá universos que respiram em sentidos opostos, onde toda destruição é, simultaneamente, génese; onde cada perda é o reverso exacto de um nascimento; onde o tempo - em vez de arrastar as coisas para a cinza - as devolve à origem, reconduzindo-as ao instante luminoso em que ainda não tinham nome. A intuição fundadora é antiga e contudo sempre nova: há um equilíbrio absoluto que sustém o visível, um pêndulo feito de mundos paralelos, de eras que se contemplam mutuamente através de véus finíssimos, de consciências que se dissolvem apenas para se redescobrirem como a totalidade de si próprias. "Há uma hora em que o relógio adormece e a água começa a subir pelos rios da memória, devolvendo às nascentes o sal que outrora despejou no mar..."