É no confessionário que são contadas as maiores intimidades. No escuro e atrás de uma parede, onde não se vê o interlocutor, não há porquê guardar segredos.
Trancada dentro deste pequeno cubículo, Aurora se sente livre para despejar nas páginas aquilo que queremos dizer aos quatro ventos e muitas vezes não conseguimos confessar.
Com a mesma maestria e delicadeza que nos mostra nas ilustrações, Aurora faz uma costura, abrindo esse livro poderoso com o poema A Ostra e o alinhava de tal maneira, que não vemos o corte, nem os pontos, e quando fechamos o zíper com o (quieto) conto Vogue já sorrimos e, apesar disso, nossas veias foram expostas e estamos com um nó na garganta, e quiçá, lágrimas nos olhos.