Entramos a medo, não sei quem tem mais. O ambiente é difuso mas deixa antecipar o que aí vem. Penumbra. Vêm sons de dentro, indecifráveis. Sinto vultos e o meu corpo arrepia-se.
Quem nos recebe? O que esperamos?
O meu vestido é justo, curto, desenha-me. Não tenho lingerie por baixo. Estou vestida mas sinto-me nua, completamente exposta. Tenho receio. De não agradar, de não saber como estar, de não ter a certeza do que deixar, do que dar.
Arrependida. Não sou capaz.
Aperta-me a mão e consigo acalmar. Não falamos, apenas o aperto mão na mão. Respondo com vigor, como para evitar cair. Mãos húmidas. Apesar dos nervos, a minha vagina também está assim, húmida. Sinto-me escorrer pernas abaixo. A adrenalina aumenta a tesão, mas o medo também.
Quem nos recebe? Entramos? Sim.
A casa é enorme, ainda mais vista de dentro. O hall é gigantesco. Vamos para a esquerda, seguindo os sussurros que aumentam de intensidade. Ouvimos gemidos.